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Qual a máquina fotográfica digital que devo escolher ?

Cada utilizador terá uma resposta diferente a esta pergunta. Aqui apresento a minha resposta a uma pergunta próxima: "Como escolher uma máquina fotográfica digital?"

Muitos amigos e conhecidos - e até desconhecidos - me perguntam que máquina devem escolher. Como a resposta varia de caso para caso, deixo aqui as perguntas e pistas de reflexão que, espero, ajudem o leitor a escolher a sua próxima máquina tal como me ajudaram a mim:

  1. Quanto pensa gastar ?
  2. Qual a qualidade da objectiva ?
  3. Para que fim deseja a máquina ?
  4. Como sente a ergonomia da máquina ?
  5. Como escolher o sensor ?
  6. Qual a importância do visor ?
  7. Como escolher as pilhas ?
  8. Sistemas de armazenamento
  9. Outros pontos de interesse

A minha forma de fotografar influencia este questionário e por isso deixo aqui algumas pistas que creio não serem surpresa para quem conhece as minhas páginas de fotografia:

  1. Sou um amador de fotografia com vontade de aprender sempre mais, tanto técnica como artisticamente.
  2. Prefiro as fotografias de espaços livres mas também faço instantâneos familiares.
  3. Não uso estúdio nem modelos.
  4. Tenho um orçamento limitado.
  5. Gosto de parar para pensar as fotografias antes de disparar.
  6. Gosto de fazer fotografia nocturna, especialmente em cidade.
  7. Gosto de macros de natureza.
  8. Ocasionalmente, faço fotografia submarina (até 10 metros de profundidade).
  9. Estou disposto a carregar um monopé e/ou um tripé.
  10. Não faço fotografias de desportos rápidos mas fotografo pequenos animais em movimento.
  1. Orçamento
  2. Qualidade da objectiva
  3. Finalidade e utilização
  4. Ergonomia
  5. Sensor e megapixels
  6. Visor e LCD
  7. Pilhas
  8. Cartões de memória
  9. Outras características
  10. Conclusões

1. Quanto pensa gastar ?

Esta é a pergunta fundamental. Não vale a pena preparar um caderno de especificações para o qual não se tem orçamento tal como é um desperdício comprar uma máquina mais cara por causa de funcionalidades que não serão utilizadas.

Normalmente, trabalha-se com rendimentos marginais decrescentes: quanto mais dinheiro o leitor gastar, menos vantagens recolhe por unidade gasta. Por isso, é natural que o dinheiro que admite gastar a mais seja mais bem empregue noutras rubricas, até fotográficas: livros técnicos e artísticos, exposições, passeios, etc..

Evite os cenários rígidos: se estabelecer um limite, admita uma folga de 10% a 20% mas depois não vá subindo progressivamente atrás de um extra e mais outra vantagem e já agora aquela outra coisa :-)

Pense também se quer comprar a máquina numa loja do seu país, na Internet ou procurar comprá-la num país terceiro onde as máquinas sejam mais baratas. Informe-se sobre as garantias, custos e seguros de envio, facturas, formatos de carregadores e sistemas de televisão, etc.. Em relação a Portugal, a compra via Internet pode significar 20% a 30% de redução (cf. revista Fotodigital) mas um amigo de férias em Andorra, Macau ou Tailândia conseguirá poupanças ainda maiores. Seja prudente, contudo, para que o barato não lhe saia caro.

Considere ainda a hipótese de comprar um equipamento em segunda mão. Como as máquinas digitais são um equipamento de obsolescência muito rápida, há sempre utilizadores afortunados ansiosos por vender a sua máquina com um ou dois anos para comprar o novíssimo modelo X. Se o leitor não fôr um fanático pela novidade pode comprar uma máquina com dois anos por metade do preço original.

A minha primeira máquina digital foi uma Olympus C-2000Z (1999) comprada em segunda mão. Foi uma venda relâmpago: o vendedor pôs o anúncio na Internet às 7h30 e às 10h eu tinha comprado a máquina. Valeu-me ter previamente preparado o caderno de especificações para decidir num ápice.

Nesta opção, a confiança no vendedor é essencial. Hoje há sítios na Internet muito bem organizados, com sistemas de classificação de compradores e vendedores, mas os conhecimentos pessoais também podem superar as garantias formais.

  1. Orçamento
  2. Qualidade da objectiva
  3. Finalidade e utilização
  4. Ergonomia
  5. Sensor e megapixels
  6. Visor e LCD
  7. Pilhas
  8. Cartões de memória
  9. Outras características
  10. Conclusões

2. Qual a qualidade da objectiva ?

A fotografia, digital ou em filme, depende da luz que chega a uma superfície sensível. Pobres são os resultados que se obtém quando a lente que côa a luz até ao alvo a atenua, distorce e maltrata. Por isso, o elemento mais importante numa máquina é a objectiva, como lhe dirá qualquer fotógrafo veterano que investe dez vezes mais nas objectivas do que nos corpos.

Para perceber a qualidade da objectiva há regras simples a seguir:

  1. Pense na lente como um funil que conduz a luz até um pequeno sensor no coração da máquina. Quanto maior fôr o diâmetro da boca do funil, mais luz é captada e mais informação chega ao sensor.
    Se a objectiva tiver um diâmetro mais pequeno do que outra de igual qualidade, a quantidade de luz recebida é menor e será necessário amplificar mais os sinais no sensor para obter uma imagem com a mesma luminosidade.
    Numa frase: mais é (quase sempre) melhor.
  2. Veja a luminosidade da objectiva ou abertura máxima, medida pelo seu diafragama. Esta é indicada por um número começado por 1:, F, F: ou F/. Quanto menor esse número melhor. A Olympus C-2000Z tem um diafragma (diz-se que tem uma abertura ou que "abre a") F/2 e F/2.8 enquanto a Canon A70 tem um diafragma F/2.8 a F/4.8. O primeiro número corresponde à abertura em grande angular e o segundo à abertura em teleobjectiva. A objectiva da Olympus é claramente superior à da Canon, sobretudo em teleobjectiva.
  3. Observe o funcionamento mecânico da objectiva: é protuberante em relação ao corpo ? É lento ? É ruidoso ? O zoom é contínuo ou tem vários passos ? Quantos ?

Além de seguir estas sugestões "faça você mesmo", consulte revistas especializadas e sítios na Internet para tentar conhecer os testes técnicos às objectivas, em particular as aberrações e distorções das objectivas que só são detectáveis numa análise profissional pormenorizada e por vezes são responsáveis por enormes diferenças de preço entre máquinas aparentemente semelhantes. Tente perceber se essas diferenças se justificam no seu caso.

  1. Orçamento
  2. Qualidade da objectiva
  3. Finalidade e utilização
  4. Ergonomia
  5. Sensor e megapixels
  6. Visor e LCD
  7. Pilhas
  8. Cartões de memória
  9. Outras características
  10. Conclusões

3. Para que fim deseja a máquina ?

Esta pergunta poderia reescrever-se em "a que tipo de fotógrafo e de fotografia se destina a máquina ?". Na sequência desta pergunta surge outra: "onde e quando tenciona transportar a máquina ?".

Esta pergunta encerra o conjunto das perguntas principais. Só pode escolher uma boa máquina quem souber para o que se destina. E não se pode responder "para tudo". Nenhuma máquina responde bem a todas as exigências, para isso seria necessário comprar várias máquinas e andar com todas elas.

Se tenciona usar a máquina apenas em férias, pode optar por um modelo mais volumoso e mais pesado, com equipamentos extra. Pelo contrário, se se trata de uma máquina para usar todos os dias no bolso, na pasta ou numa carteira (bolsa) de senhora, então o tamanho deverá ser o menor possível. Neste último caso, há que obter um compromisso entre o tamanho da lente (ver pergunta anterior) e o tamanho da máquina. Cada marca propõe soluções que espelham estas diferenças.

Pense ainda nos seguintes exemplos:

  • Sente-se confiante ou assustado diante de múltiplos modos e opções ?
    No primeiro caso, recomendo uma máquina progressiva que admita modos automáticos mas também os ajustes manuais, enquanto no segundo recomendo uma máquina com uma latitude de escolha menor.
    Os modelos amadores da Canon aproximam-se do primeiro caso e os da HP do segundo.
  • Quer ajuda na escolha dos parâmetros da fotografia ? A maioria das máquinas inclui programas adaptados às situações mais comuns: retrato, paisagem, desporto (fotografias de alvos rápidos), contra-luz, macro, nocturno, nocturno com flash, praia e neve. Há ainda máquinas - Nikon, por exemplo - que permitem disparar uma série de fotografias das quais a máquina escolhe apenas a fotografia com melhor focagem e exposição.
  • Gosta de mostrar as fotografias aos seus amigos ? Então escolha um modelo que permita apresentar as fotos em qualquer televisão. Há muitos modelos que oferecem essa possibilidade.
    Nota importante: se importar a máquina de outro país ou a comprar na Internet assegure-se que a máquina está adaptada ao sistema de televisão do seu país. Em Portugal e na maior parte da Europa o sistema é PAL (B ou D, sendo que a maioria das televisões suporta os dois) nos Estados Unidos e no Japão o sistema é NTSC, em França e alguns países francófonos se usa SECAM e no Brasil usa-se uma variante de PAL incompatível com a portuguesa. Há algumas máquinas que se ligam aos dois sistemas mais comuns (PAL e NTSC).
  • [adenda em 2005] Está disposto a carregar um tripé ? Um tripé ou um monopé são auxiliares valiosos na fotografia de temas estáticos e são necessários às fotografias em ambientes de baixa iluminação.
    Para mais informações, consulte a nota sobre tripés e monopés.
  • Fotografa objectos distantes ? Então precisará de um zoom longo. Note que um zoom longo "obriga" à utilização de um tripé com a maioria das máquinas abaixo dos EUR 1000 (USD 1150).
    Sobre este tema veja ainda a secção sobre estabilizadores de imagem.
    Dedica-se a fotos de família e paisagens urbanas e naturais? Então um zoom 3x banal servirá.
    A Fuji e a Olympus oferecem várias opções em zooms longos [actualizado em 2005: e também Canon, Minolta, Nikon, Panasonic e Sony], enquanto todas as marcas oferecem zooms 3x com distâncias focais típicas próximas de 35-105mm no formato máquinas fotográficas analógicas vulgares.
  • Vai viajar e quer minimizar o peso a carregar e a exposição da câmara aos furtos? Quase todas as marcas propõem modelos muito compactos e com uma qualidade óptica satisfatória.
    Neste campo destacam-se a Pentax, Casio e a Sony, por exemplo.
  • Tenciona fazer panorâmicas ? Embora seja possível fazer panorâmicas com qualquer máquina, os resultados melhoram significativamente quando a máquina propõe um modo de panorâmicas assistidas. Verifique que a máquina que quer comprar oferece esta possibilidade e, de preferência, que a rosca do tripé está centrada no eixo óptico da lente.
  • Gosta de efeitos especiais ? Por exemplo, fotografias a preto e branco ou a sépia, fotografias desfocadas ou com as cores mais saturadas? Há máquinas que oferecem estas opções, embora eu prefira fazer esse processamento a posteriori, no computador.
  • Quer levar a sua máquina para debaixo de água ? Há diversas marcas que propõem caixas estanques para o efeito: Sony, Olympus, Canon, entre outras. Há também fabricantes de equipamento estanque que propõem soluções adaptáveis a várias câmaras.
    Para mais informação sobre fotografias submarinas, consulte as notas dedicadas.

Atendendo ao crescimento do mercado digital as diversas marcas procuram elementos de diferenciação para satisfazerem melhor os seus clientes, oferecendo características que ultrapassam o âmbito fotográfico. Por exemplo:

  1. Muitas máquinas oferecem a possibilidade de realizar pequenos filmes, com ou sem som. Normalmente, o zoom não funciona durante o filme nas máquinas que gravam filmes com som; caso contrário o ruído do motor ultrapassaria o do filme.
    As resoluções típicas dos filmes são 160x120, 320x240 e nas mais recentes 640x480. A duração do filme pode estar limitada internamente pela máquina (tipicamente 30 segundos) ou pelo tamanho do cartão de memória.
  2. Há máquinas que incluem leitores de MP3 para quem quiser levar a sua música preferida para todo o lado.
  3. Outras há que incluem gravadores de voz, para guardar notas e recados.

Em resumo, pense bem na finalidade a que se destina a câmara e se quer transportá-la no quotidiano.

Pense também se quer aprender mais fotografia ou se pretende apenas tirar fotografias "automáticas". Ao escolher uma câmara, não se baseie naquilo que sabe mas naquilo que quer saber. Mesmo que não tenha conhecimentos sólidos de fotografia, poderá valer a pena investir numa máquina com possibilidades de controlo manual se se dispuser a investir parte dos seus tempos livres na aprendizagem e aperfeiçoamento da fotografia.

Reflicta ainda nas funcionalidades extra. Há algumas que poderão valer a pena mas pense nos acréscimos de custo.

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  2. Qualidade da objectiva
  3. Finalidade e utilização
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  9. Outras características
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4. Como sente a ergonomia da máquina ?

Esta é a análise mais subjectiva de todas mas é muito importante. Se uma máquina não se adaptar bem ao utilizador, a qualidade e satisfação de uso degradar-se-ão, independentemente da qualidade técnica da mesma.

Há alguns aspectos fáceis de identificar. O primeiro é o tamanho da caixa e a posição dos botões. O segundo é o conforto das mãos: agrada-lhe ao tacto ? Os dedos ficam em posição confortável ou contraídos ? Preste atenção ainda à posição do visor e do flash.

Eu uso o olho esquerdo para enquadrar a fotografia no visor - ainda não me habituei ao LCD. Como a minha máquina é japonesa e o meu nariz é bem maior do que o nariz médio dos japoneses, o meu nariz disputa com o polegar direito o controlo dos botões no dorso da máquina.

Para avaliar a ergonomia o melhor é ter a máquina nas mãos: a máquina é pesada de mais ou leve de mais? Requer o uso das duas mãos ou basta uma ? E o leitor gosta de usar uma ou as duas mãos?

Procure observar o toque dos plásticos, a firmeza das junções e dos parafusos. Pergunte aos seus amigos com máquinas semelhantes se tiveram problemas e analise o desgaste das caixas das máquinas deles.

Verifique se a substituição das pilhas e cartões é funcional; se o acesso aos menus de configuração é intuitivo e eficiente; se a máquina é fácil de operar no escuro.

Mais alguns casos que merecem atenção:

  • Atrapalha-se com múltiplos botões e prefere um botão único com menus em várias camadas ou, pelo contrário, prefere acessos directos ao maior número possível de funções?
    A HP prefere a primeira solução enquanto a Fujifilm adopta a segunda nos modelos mais avançados, por exemplo.
  • A máquina será manuseada por uma única pessoa muito cuidadosa ou é para andar de mão em mão ? Será usada por crianças ou adolescentes ?
    Neste caso precisará de uma máquina mais robusta. Não pense que é indispensável uma máquina simples; quanto mais novo é o utilizador, melhor aprende todas as funções da máquina :-)
  • Faz campismo, montanhismo, escalada e outros desportos "selvagens" ? Pense numa máquina com uma caixa especialmente robusta e acrescente à lista de compras uma bolsa leve e bem acolchoada. Neste campo, a Lowepro é uma referência.
  • Utilizará a máquina em ambientes poeirentos, sujeitos a humidade, corrosão, areia, grande amplitudes térmicas e variações de humidade relativa ou outros factores de risco ?
    A Kodak tem uma linha de câmaras "robustas" para operar com luvas e a Olympus tem câmaras resistentes a salpicos. Pode também comprar estojos de protecção para operar a máquina em ambientes hostis ou subaquáticos, por exemplo da Ewa-marine.
  • Pensa comprar acessórios ? Lentes, Flashes ? Veja como se ligam e verifique, por exemplo, se a lente de ampliação montada sobre a objectiva não tapa o flash ou o visor óptico da máquina.
  • Atrapalha-se com os cabos e software de configuração e transferência de fotografias? Há marcas que disponbilizam bases de ligação (em inglês craddle ou docking stations) para facilitar e automatizar estas tarefas, inclusivé a impressão. A HP e a Fujifilm adoptaram esta solução.
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5. Como escolher um sensor ?

A maioria das pessoas com quem converso sobre máquinas digitais começa por aqui e talvez o leitor esteja surpreendido por só agora se falar dos sensores. Optei por esta ordem porque penso que as outras quatro perguntas são mais importantes e que depois de pensar nelas o leitor estará em melhores condições de reflectir sobre o sensor.

Há dois tipos de sensores: CMOS e CCD. As características e diferenças entre eles estão fora do âmbito desta nota e o leitor encontrará referências sobre o assunto. Para o efeito de escolha de uma máquina digital basta saber o seguinte sobre o assunto:

  • Os sensores CCD representam a maioria do mercado e a tecnologia CMOS é mais recente.
  • Numa análise comparativa, os sensores CMOS têm um fabrico mais barato e consomem menos energia.
  • Não é hoje claro que uma tecnologia seja superior à outra. A Canon usa CMOS no topo da gama, mas a Nikon, a Kodak ou a Olympus preferem o CCD, por exemplo.
  • Todavia, há um tipo de sensores CMOS de baixa qualidade que é usado em Webcams e em máquinas fotográficas muito baratas (até EUR 200 ou USD 230).

Em resumo, evite as máquinas muito baratas com CMOS (por pouco mais dinheiro encontrará máquinas com uma qualidade muito superior) e não se preocupe com o tipo do sensor.

É também importante o tamanho físico do sensor. Por regra, para dois sensores com o mesmo número de pixels - que produzem imagens com a mesma resolução - os sensores maiores proporcionam melhor qualidade, em particular no recorte e reprodução das cores.

A explicação é simples: quando as células sensíveis estão muito próximas, a carga de cada uma afecta também as suas vizinhas e assim "contamina" ligeiramente a imagem. Este fenómeno designa-se em inglês "smudging".

Além disso, a maioria das máquinas inclui um filtro de "anti-aliasing" para evitar efeitos de sub-amostragem e padrões de Moiré, que também reduzem o recorte das fotografias. Uma excepção notável a esta política é a Sigma SD-9 e por isso as suas imagens são mais apreciadas em fotografias de natureza, pois devolvem melhor recorte e reprodução de cor.

Julgo que o leitor não se deve preocupar muito com este problema no segmento amador pois a maioria dos sensores tem cerca de 1.4cm de diagonal. Só nas máquinas para mais caras (acima de EUR 1000 ou USD 1150) surgem os sensores maiores. A Olympus está a tentar impôr uma norma multi-fabricante com sensores de 3.4 cm de diagonal para as máquinas de objectivas inter-mutáveis, chamado 4/3.

E com a resolução do sensor ? Vale a pena preocupar-se ? Penso que não.

Penso que a corrida aos megapixel é uma loucura estimulada pelos fabricantes que procuram maximizar as vendas e encurtar os ciclos de vida dos produtos.

Nota:
1 polegada (1 in) = 2.54 cm

Proponho fazer algumas contas para o leitor perceber porquê. As impressões em sublimação térmica ou nos laboratórios digitais são feitas a 200 dpi (200 pontos por polegada) ou a 300 dpi nos serviços profissionais de alta qualidade. Uma máquina de 2 Mpixel faz fotografias de 1600x1200 pontos e com 3.2Mpixel têm-se 2048 x 1536 pontos.

Para imprimir uma fotografia de 10 x 15 cm, que corresponde a 6 x 4 in (polegadas), seriam precisas imagens de 1200 x 800 pontos para impressões a 200 dpi a 1800 x 1200 pixels para impressões a 300 dpi. Para fazer uma impressão em formato A4 (30 x 21 cm, ou cerca de 12 x 8 in) seriam precisos 2400 x 1600 pontos a 200 dpi ou 3600 x 2400 pontos. Portanto, para imprimir fotografias com a qualidade normal de "laboratório automático", 2 Mpixel chegam para fazer cópias 10 x 15 cm e 3.2 Mpixel é suficiente - embora um pouco menos do que o ideal - para fazer fotografias em formato 30 x 20 cm. Quantas vezes por ano imprime neste formato ou em formatos maiores ?

As máquinas com resolução igual ou superior a 4 Mpixel servem sobretudo para que se possa reenquadrar a fotografia, aproveitando um pedaço com dois ou três Mpixel e ainda assim obter uma boa fotografia, servem para ampliações profissionais de grande formato e servem, sobretudo, para animar a indústria fotográfica.

A título de testemunho, já vi fotografias minhas impressas em jornais e revistas de papel couché com qualidade indistinguível do resto da publicação, baseadas em imagens de 2Mpixel da minha "velhinha" Olympus C-2000Z. Pode parecer exagero meu, mas tendo experimentado as duas máquinas, não troco a minha C-2000Z com 2Mpixel e diafragma F/2 a F/2.8 por uma Olympus C-40Z com 4Mpixel e diafragma de F/2.8 a F/4.8.

Hoje em dia [Maio 2003], os sensores de 3 Mpixel marcam o nível de entrada da maioria das máquinas em torno do EUR 500 (aprox. USD 650). Se procurar mais baixo, encontrará máquinas com características e qualidades limitadas. O meu conselho é que escolha a máquina em função das restantes características, desde que o sensor tenha pelo menos 3 Mpixel. Se o leitor guiar a sua procura pela maximização da resolução, provavelmente gastará dinheiro do qual retirará um magro benefício.

Por outro lado, pode estar confiante que uma máquina de 2 Mpixel em segunda-mão poderá fazer as delícias de uma família ou de um amador com uma pequena despesa.

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  9. Outras características
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6. Qual a importância do visor ?

Já é difícil encontrar um máquina sem écran para visualizar as fotografias. Porém, há algumas diferenças nas funções dos écrans e dos visores oculares. Este écran ou monitor é normalmente de cristais líquidos a cores, vulgarmente designado LCD.

Nas máquinas SLR topo de gama, o écran só permite ver as imagens gravadas, sendo necessário usar o visor ocular para tirar a fotografia. Nas demais, o écran pode ser usado para tirar as fotgrafias e para ver depois as fotografias gravadas. O tamanho e o contraste do écran são importantes para uma boa visualização, mas também afectam o preço: maior contraste ou maior tamanho implicam um aumento de preço. Aconselho o leitor a experimentar o écran antes de comprar, sobretudo se tiver dificuldades de visão.

Em condições de forte luminosidade, o écran pode tornar-se ilegível, sendo necessário espreitar pelo visor ocular. Para este problema foram propostas duas soluções: a Leica e a Panasonic, por exemplo, incluem um pára-sol ou pequeno "toldo" ou pála retráctil que cobrem o écran, reduzindo a luminosidade difusa, enquanto a Nikon, Pentax, entre outras, optaram por incluir um eixo mecânico que permite rodar o écran para um ângulo mais conveniente.

Este segundo sistema oferece vantagens adicionais: permite tirar fotografias "por cima da multidão", auto-retratos, instantâneos ao nível da cintura, entre muitas outras ideias.

Embora a maioria dos utilizadores de máquinas digitais prefira o écran para tirar e ver fotografias, quase todas as máquinas trazem um visor ocular. Este pode ser óptico ou electrónico, sendo neste caso comummente designado por Electronic View Finder (EVF).

Eu continuo a preferir, e reputo indispensável, um visor óptico, pelas razões seguintes, listada por ordem decrescente de importância:

  1. Permite poupanças muito significativas de energia
  2. É superior aos EVF em caso de luminosidade deficiente e fotografia nocturna.
  3. É mais rápido durante os movimentos bruscos da câmara.
  4. É mais confortável e menos cansativo para os olhos.

Tem também alguns inconvenientes por comparação com os EVF:

  1. Existe um erro de paralaxe entre a imagem vista no visor óptico e no écran.
  2. Por vezes, o visor óptico não cobre todo o campo da objectiva, chegando a mostrar apenas 85% da área efectivamente fotografada.
  3. Dificulta a apresentação de sinais auxiliares de informação.

Em resumo, escolha uma máquina com um bom écran para ver as fotografias. Em relação ao visor ocular, a escolha da tecnologia é mais subjectiva, mas eu continuo a preferir o visor óptico, mau grado os seus inconvenientes, pois estes podem ser ultrapassados olhando para o LCD. Se o LCD e o visor ocular se baseiam no mesmo princípio, não há complementaridade para ultrapassarem as suas limitações específicas.

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  2. Qualidade da objectiva
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  8. Cartões de memória
  9. Outras características
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7. Como escolher as pilhas ?

O consumo voraz de energia das máquinas fotográficas digitais foi causa de um rápido desenvolvimentoe da indústria de acumuladores, que teve como consequência um maior desenvolvimento do mercado da fotografia digital.

Hoje, há marcas que optam por acumuladores proprietários de alto rendimento, normalmente de iões de lítio (Li-ion), enquanto outras - sobretudo nos segmentos mais baixos - preferem as pilhas padrão (AA ou AAA). Há ainda soluções intermédias onde os acumuladores proprietários são concebidos de forma a poderem ser substituídos por pilhas padrão.

Embora as pilhas tradicionais tenham menos rendimento, eu continuo a preferi-las porque são mais baratas e podem ser substituídas numa emergência por pilhas alcalinas que se compram em qualquer quiosque ou loja para turistas. Hoje há pilhas AA com 2100mAh que se batem quase de igual com os acumuladores proprietários.

Um dos estímulo para o uso de pilhas proprietárias é o mercado das máquinas ultra-compactas. Mas até nesse nicho é possível fazer milagres como demonstra a Pentax com as séries S4i (pilhas proprietárias) e S40 (pilhas AA), por exemplo.

Um dos maiores inconvenientes dos acumuladore proprietários é serem carregados dentro das próprias máquinas. Quando se tem mais do que um acumulador, é necessário comprar um carregador adicional ou ficar com a máquina "presa à parede" enquanto os dois acumuladores não carregam. O leitor não tenha dúvidas: se não tiver uma fonte de energia de reserva vai arrepedender-se. E mais cedo do que julga.

Se usar pilhas padrão que são mais baratas, é mais fácil comprar conjuntos de reserva. Sendo compatíveis com vários dispositivos podem ser trocadas com vários aparelhos, é mais fácil comprar carregadores para elas e não se perde todo o investimento quando se troca de máquina...

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8. Sistemas de armazenamento

Deixei quase para o fim o elemento que mais me aborrece na fotografia digital: a multiplicidade de sistemas de armazenamento. Se não contar com as diskettes de 1.44Mb que foram propostas pela Sony na série Mavica, conheci os seguintes sistemas:

Cartões Smartmedia
Propostos pela Fuji e pela Olympus, têm capacidades até 128Mb. Não têm controlador integrado. São baratos e relativamente lentos. Estão obsoletos (embora ainda existam abundantemente) e foram substituídos pelos cartões xD.
Cartões CompactFlash tipo I
Propostos pela SanDisk para os computadores de bolso, depressa se generalizaram como um dos formatos mais populares dada a sua capacidade e rapidez de escrita. Actualmente chegam aos 2GB mas a melhor relação qualidade preço alcança-se entre os 256Mb e os 512Mb. São um pouco maiores do que os Smartmedia e incluem um controlador. Têm um controlador integrado e são vistos pelos PCs como um disco rígido normal.
IBM MicroDrive
A MicroDrive é uma notável invenção da IBM que desenvolveu um verdadeiro disco rígido do tamanho de uma moeda, com o formato de um cartão Compact Flash, de tipo II, um pouco mais espesso do que os de tipo I. Durante anos foi o suporte de eleição dos fotógrafos digitais profissionais.
A capacidade atinge hoje os 4 Gb mas o desenvolvimento do dispositivo perdeu o interesse económico dada a existência de cartões CompactFlash de tamanho comparável e com custos muito inferiores.
Cartões Secure Digital/Multimedia Card
Preferidos pela HP e pela Pentax, entre outros, este formato oferece vantagens na inclusão de assinaturas digitais nas fotografias e consequente protecção dos direitos de autor. A dimensão é um pouco inferior ao SmartMedia e as capacidades estão próximas dos CompactFlash.
Memory Stick e Memory Stick Pro
Um formato proprietário da Sony, que recentemente se abriu a outros fabricantes. Semelhante aos anteriores. O novo formato Pro oferece mais capacidade e sobretudo maior velocidade de escrita e leitura.
Cartões xD
Proposto pela FujiFilm e Olympus para substituir os cartões SmartMedia, com os quais mantém alguma compatibilidade. Actualmente são o formato mais pequeno e mais leve. A capacidade chega aos 512Mb e promete igualar os CompactFlash.
Discos CD-R e CD-RW
Esta é a solução mais barata e eficiente de guardar as fotografias: gravá-las directamente num CD-R ou CD-RW e arquivar os discos. O suporte é barato e tem grande capacidade. O principal problema é o tamanho dos discos que dá origem a câmaras maiores e o consumo de energia para fazer rodar e queimar os discos.

Há algumas máquinas que aceitam mais de um formato de cartões: Olympus e Pentax, por exemplo.

Além de todos estes sistemas as máquinas também têm memória interna. Algumas só têm memória interna. Aconselho o leitor a evitá-las pela reduzida autonomia que proporcionam.

A memória interna é determinante para disparar sequências rápidas de fotografias, pois a velocidade de escrita no sistema de armazenamento pode ser significativamente inferior à velocidade de aquisição de dados. Nestes casos, a memória interna serve de armazém temporário e a velocidade de disparo em sequência é determinada pela dimensão deste armazém.

Os fabricantes são omissos sobre o tamanho e rapidez da memória interna e por isso é necessário recorrer a sítios de testes ou revistas independentes para poder aferir e comparar estes parâmetros.

Não tenho opinião sobre quais são os melhores sistemas de armazenamento. Parece-me que são praticamente equivalentes. O CompactFlash é muito popular e comparativamente barato, e por isso deve ter uma vida longa. De resto, o sistema de armazenamento não deve ser determinante na escolha, excepto nos casos em que já tenha outros equipamentos com cartões e queira garantir a compatibilidade.

Para determinar a capacidade óptima do cartão, eu procuro obter o mais baixo custo por MByte. Aconselho o leitor a não escolher cartões de capacidade superior, excepto nos casos em que a substituição do cartão seja melindrosa (fotos submarinas, por exemplo). Se o fizer, paga um preço por MByte mais elevado e em caso de avaria ou extravio do cartão, perde muitas fotografias e muito dinheiro. Se só tiver um cartão, perde também a possibilidade de continuar a fotografar.

  1. Orçamento
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  9. Outras características
  10. Conclusões

9. Outros pontos de interesse

Omiti propositadamente um conjunto de características importantes mas que são de difícil observação e avaliação pelo utilizador leigo e que estão ligadas à electrónica das máquinas.

[Setembro 2003] A pedido de alguns leitores, acrescentei umas notas ínfimas sobre cada um dos temas:

Velocidade de obturação
Este é um parâmetro que varia relativamente pouco nos vários modelos de máquinas. As maiores diferenças estão nas exposições longas que são usadas por uma minoria (normalmente esclarecida) de utilizadores.
Os tempos de obturação entre 1/1000s e 1s são os mais frequentes. Deve evitar uma faixa mais estreita do que esta.
As máquinas de maior qualidade oferecem obturadores mais rápidos (até 1/4000s) mas creio que têm escassa utilização. Os tempos de exposição mais longos (acima de 1 segundo, ditas velocidades lentas) são importantes para fotografias nocturnas, de arquitectura ou de efeitos especiais. Considere um bom tripé para estas aplicações.
Sensibilidade ISO
A maioria das máquinas simula vários graus de sensibilidade, correspondentes à sensibilidade dos filmes analógicos. Neste caso, a maior sensibilidade corresponde a maior ganho no sensor (e por isso mais ruído). Embora as sensibilidades venham definidas em equivalentes ISO, há debates sobre esta equivalência, nomeadamente, no DPReview sobre algumas Canon que terão uma sensibilidade a ISO 50 semelhante à de outras máquinas a ISO 100.
Em algumas máquinas há regulações manuais e filtros anti-ruído mas a discussão destes pormenores ultrapassa o âmbito desta nota.
Equilíbrio de brancos
Esta é uma das principais vantagens da fotografia digital que é razoavelmente resolvida pela generalidade das máquinas. Trata-se de identificar uma dominante cromática nas fotografias, resolvendo o problema mais comum das fotografias tiradas dentro de casa que é a dominante amarela devida à luz de incandescência.
Na maior parte das fotografias o ajuste automático anula as dominantes cromáticas, mas em certos casos é vantajoso especificar qual o tipo de luz dominante. Nestes casos, além de regulação para luz do sol, sombra, incandescente e fluorescente, há máquinas com regulações manuais ou com a possibilidade de identificar um elemento branco.
Auto-focus
Este tema é mais pertinente, até porque há diferenças sensíveis entre as várias marcas e máquinas. Sugiro ao leitor que recorra a análises técnicas na Net ou na Imprensa para conhecer as máquinas que pondera adquirir.
Algumas máquinas incluem uma luz de assistência ao auto-focus. É uma vantagem importante, quando a luz funciona bem (consulte os testes). Certifique-se, porém, de que pode desligá-la, caso contrário não poderá fotografar de surpresa.
Flashes
São um complemento quase indispensável da fotografia e variam muito entre máquinas da mesma gama. Alguns têm bom alcance e são equilibrados enquanto outros queimam as fotografias.
Se faz macrofotografia, tenha particular atenção aos flashes pois muitos deles são inúteis a curta distância.
O alcance típico dos flashes nas máquinas compactas não ultrapassa os 5 metros. Para maiores distâncias ou para grandes angulares é necessário um flash externo. Verifique se a máquina que pensa comprar oferece essa opção.
Note ainda que o uso do flash interno consome bastante energia da bateria e aumenta o tempo de espera entre fotografias.
Acessórios
A capacidade de expansão de uma máquina é importante para alguns utilizadores. Se fôr o seu caso, o leitor deve informar-se da possibilidade de uso e do custo dos filtros e lentes conversoras e/ou de flashes externos, uso de controlos remotos (oferecido pela Olympus desde 1999, por exemplo), caixas subaquáticas, etc..

[Janeiro 2005] O tempo passa torna-se necessário actualizar as notas, acrescentando um tema:

Estabilizadores de imagem
Já há várias marcas - Canon, Minolta, Panasonic, entre outras - que oferecem estabilizadores ópticos de imagem para máquinas de zooms longos (6x, 10x, 12x), estendendo as possibilidades de utilização destas lentes sem tripé. O desempenho destes sistemas é variável, mas todos melhoram a gama de utilização das lentes em pelo menos "1 a 3 stops", isto é permitem multiplicar por 1,4 (1 stop) a 2,8 (3 stops) o tempo de exposição máximo que ainda garante uma imagem nítida. Na prática, isto permite usar o zoom com metade ou um terço da luz, para o mesmo nível de sensibilidade ISO.
Estes sistemas eram característicos das objectivas profissionais, mas surgem agora integradas em algumas compactas com um preço de cerca de EUR 500 (USD 600).
O tema dos estabilizadores é também abordado na nota sobre tripés.
  1. Orçamento
  2. Qualidade da objectiva
  3. Finalidade e utilização
  4. Ergonomia
  5. Sensor e megapixels
  6. Visor e LCD
  7. Pilhas
  8. Cartões de memória
  9. Outras características
  10. Conclusões

10. Conclusões

Para comprar bem uma máquina digital julgo que o leitor deve responder às seguintes sete perguntas, por ordem decrescente de relevância:

  1. Quanto penso gastar ?
  2. Qual a qualidade da objectiva ?
  3. Para que fim quero a máquina ?
  4. Como sinto a ergonomia ?
  5. Que sensor vou escolher ?
  6. Qual a importância do visor ?
  7. Que pilhas devo escolher ?

Se o leitor não pretender embrenhar-se na arte da fotografia, será mais razoável trocar a ordem das segunda e terceira perguntas, passando a ser mais importante a finalidade da máquina do que a qualidade da lente.

Em relação ao sensor, e se o orçamento do leitor o permitir, aconselho-o a partir de uma base de 3 Mpixel. Acima disto, a resolução não deve ser o motor da escolha mas um benefício adicional associado à máquina com as características desejadas. No mercado de segunda-mão pode obter-se uma máquina de 2 Mpixel com boas características por muito bom preço.

Escolha com cuidado o LCD, o visor ocular e a ergonomia. É através deles que cria as fotografias; se não forem funcionais atravessar-se-ão todos os dias no seu caminho.

Qualquer que seja a sua escolha de pilhas e cartões, traga sempre uma reserva no bolso.

Se percorrer estas perguntas e reflexões verá muito mais claro no meio da multidão de marcas e modelos que a publicidade vende como únicos, mas que na realidade são muito semelhantes. Reitero o conselho de ler testes on-line e revistas técnicas. São uma óptima fonte de aprendizagem e de informação e representam uma pequena despesa no preço final de uma máquina.

Para terminar, quero recordar um velho conselho, sempre actual: o mais importante para tirar boas fotografias é o que está à frente e atrás da máquina, não o que está dentro dela.

Se um seu amigo com uma óptima máquina tirar fotos muito melhores do que as suas, não lhe inveje a máquina. Peça-lhe para trocar de máquina e logo constatará que as fotos dele não pioraram. Há quem tire belas fotografias com caixas de sapatos - a esta técnica chama-se pin-hole.

Escolha bem os seus temas, procure melhorar a sua sensibilidade e técnica fotográficas, tome consciência da mensagem ou dos sentimentos que quer transmitir e as suas fotos melhorarão.

 

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Referências

  • Revista SuperFoto Prática (portuguesa e espanhola), Novembro 2003, "Os sensores digitais" é uma boa apresentação dos sensores digitais em linguagem acessível, realçando as diferenças entre eles.
  • Revista FotoDigital (portuguesa) no nº 8, Maio 2003, "Porque pagamos mais ?" sobre a compra na Net ou nas lojas; pg. 36 a 40.
  • Revista FotoDigital (portuguesa) no nº 8, Maio 2003, pg. 52 e 53, "O cabo dos seis milhões" sobre o número de pixels necessários para uma boa imagem.
  • Revista FOTOplus (portuguesa) no nº 4, Março 2005, pg. 16 a 21, "Como escolher a minha primeira máquina digital" é uma boa introdução a este tema e mostra um ponto de vista que não coincide com o meu.
  • Luís Pontes: um sítio em português, onde se trata este tema com menos formalidade e mais humor.
  • DP Review [em inglês]: sumário técnico de centenas de máquinas e análise aprofundadas de algumas dezenas.
  • Imaging Resource [em inglês]: análogo ao anterior, permite obter uma segunda opinião sobre uma máquina.
    Há algumas máquinas que são analisadas no Imaging Resource mas não no DP Review.
  • Referências técnicas: a minha lista de links de referências técnicas aos quais juntei um breve comentário. A maioria dos sítios indicados está em inglês.
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    ©2003 João Gomes Mota
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    Escrito em Jullho de 2003. Última revisão: Setembro 2005. inicio da página