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Tripé: o meu melhor amigo fotográfico

Mau grado as promessas formidáveis dos arautos da fotografia digital, os melhores ajudantes para melhorar a qualidade das minhas fotografias são dois amigos constantes, modestos, versáteis ... e analógicos: o tripé e o monopé.

Nesta nota, proponho ao leitor uma viagem ao passado, até ao tempo dos tripés e das fotografias pensadas antes de disparar. Começo por uma descrição objectiva dos equipamentos; depois, faço a apologia dos tripés e termino com uma comparação com os seus putativos substitutos, os estabilizadores de imagem.

No final, incluo referências para outros artigos sobre este tema.

 
  1. Tripés, monopés e Cia
  2. Como escolher
  3. Características
  4. Constantes
  5. Modestos
  6. Versáteis
  7. E os estabilizadores de imagem ?
  8. Conclusões

Nota

Encontram-se entre parênteses os termos técnicos e medidas ingleses correspondentes aos termos que usei, porque o idioma mais comum nos textos sobre fotografia é o inglês.

Espero assim facilitar a comparação com os textos e manuais em inglês bem como clarificar os conceitos que refiro quando a tradução portuguesa não é consensual.

  1. Tripés, monopés e Cia
  2. Como escolher
  3. Características
  4. Constantes
  5. Modestos
  6. Versáteis
  7. Estabilizadores de imagem
  8. Conclusões

1. Tripés, monopés e Cia

A função principal dos tripés, monopés e "companhia" é garantir a estabilidade das máquinas fotográficas, sobretudo nas fotografias de exposição lenta, evitando as vibrações e os movimentos involuntários.

Os tripés têm três pés :-) enquanto os monopés têm só um pé. Alguns monopés são dotados de um ou dois apoios laterais que ajudam a estabilizá-los.

A altura da maioria dos tripés e monopés varia entre os 100cm (40in) e os 180cm (71in), quando abertos. Deste modo, apoiam a máquina fotográfica desde o chão até à altura em que uma pessoa opera confortavelmente a máquina fotográfica.

Os pés de tripés e monopés são extensíveis com secções telescópicas - na maioria dos casos têm três secções. Os tripés têm ainda uma coluna central elevatória com uma cremalheira.

 

Além dos tripés convencionais, há modelos de mini-tripés, tripés para montar em cima de uma mesa (na foto), grampos para prender a um tampo de mesa (ver foto).

Quando se usam mini-tripés, há alguns limites ao peso a aplicar, pois se o centro de gravidade da máquina - ou do conjunto máquina/objectiva no caso das objectivas intermutáveis - for excêntrico face à área de apoio do tripé, este pode cair.

O florescimento das máquinas digitais, tipicamente menores e mais leves do que as analógicas, contribuiu para atenuar este problema.

 

Por outro lado, os mini-tripés têm a vantagem de serem leves e ocuparem pouco espaço.

Os materiais destes tripés podem ser mais frágeis do que os dos tripés maiores; não é o caso do tripé ilustrado, que tem o corpo em aço.

 

Os grampos podem ser usados numa mesa ou num tubo. O exemplo ilustrado pode ainda ser usado como tripé de mesa pois esconde no seu interior duas hastes de metal que são aparafusadas à base para que, em conjunto com o parafuso da rosca do grampo, formem um tripé equilibrado.

  1. Tripés, monopés e Cia
  2. Como escolher
  3. Características
  4. Constantes
  5. Modestos
  6. Versáteis
  7. Estabilizadores de imagem
  8. Conclusões

2. Como escolher

Esta nota sobre tripés é filha de um debate (thread) passado em 2000 no fórum do foto@pt (http://www.fotopt.net), hoje indisponível. Neste debate, destaco a colaboração esclarecida do Sérgio Azenha.

Reproduzo aqui o início do debate, que se mantém actual cinco anos depois, só a moeda está desactualizada pois à data ainda não se usava o Euro:

(A.B.): "Gostaria que alguém me aconselhasse um tripé razoável, suficiente para a maior parte das situações mas relativamente barato (até uns 15 contos [cerca 75 EUR ou USD 90]) porque não posso gastar muito dinheiro neste momento."

(Sérgio Azenha): "Vou ultrapassar um pouco o teu orçamento, mas acho que valerá a pena porque um bom tripé é uma coisa que te pode servir durante anos, enquanto que um mau tripé (um pouco mais barato) só servirá até conseguires arranjar dinheiro para o substituir. Ou seja, mais vale gastares logo um pouco mais e obter algo que te servirá durante muito tempo!

Sendo assim, recomendo o kit tripé Manfrotto 190B + cabeça Manfrotto 141RC. Este kit pode ser comprado [...] por um pouco mais de 30 contos [cerca 150 EUR ou USD 180] cá em Portugal. Eu próprio tenho um 190 e duas cabeças (141RC e 308RC) e estou satisfeitíssimo! :)"

(João Gomes Mota) - Resposta a A.B.: "Não sei para que fim queres o tripé e sem isso é difícil fazer sugestões. Passo a exemplificar:

  1. para andares por montes e vales fotografando pequenas plantas ou animais ou tirando fotografias ao lusco-fusco, esquece a sugestão do Sérgio: o tripé pesa 1.7 Kg e as cabeças pesam 1.0 Kg e 0.56 Kg, respectivamente.
  2. para fotografias nocturnas na cidade onde as distâncias são curtas e há um transporte por perto (ou um porta-bagagens) então talvez a sugestão do Sérgio seja aceitável.
  3. para trabalho de estúdio ou semelhante, a sugestão do Sérgio parece-me perfeita.

Como passeio por montes e vales a pé e de bicicleta, o peso é crucial para mim. Também gosto fazer fotografias do interior de monumentos.

O que eu uso:

  1. um tripé ordinário de foto/video da Kalimar (na foto). Pesa 1Kg e acho que é o limite psicológico para carregar em todas as saídas. Tenho amigos que já acham demais. Custou-me 7 ou 8 contos [35 EUR a 40 EUR, USD 42 a USD 48].
  2. um tripé pequenino (altura máxima 50cm) para usar em igrejas, museus, ruínas, [..] Custou-me 3 contos [15 EUR ou USD 18].
  3. um grampo de mesa da Hama (na foto). Anda sempre no meu saco, é leve mas dificilmente se usa com um tele-zoom. Serve para o mesmo que o anterior na ausência dele. Custou-me 5 contos [25 EUR ou USD 30].
  4. Um monopé Manfrotto quando os temas impedem o uso de um tripé, por exemplo na fotografia de pequenas aves."
 
 

Tal como a pergunta "Qual a máquina que devo escolher" não tem uma resposta única, a escolha de um tripé depende da resposta a várias perguntas:

  1. Para que fim deseja o tripé?
  2. Como vai transportar o tripé?
  3. Quanto peso está disposto a carregar?
  4. Qual o orçamento disponível?

Convido o leitor a analisar as características relevantes dos tripés, monopés e companhia e estou certo que no fim será capaz de responder facilmente às três primeiras.

 
  1. Tripés, monopés e Cia
  2. Como escolher
  3. Características
  4. Constantes
  5. Modestos
  6. Versáteis
  7. Estabilizadores de imagem
  8. Conclusões

3. Características

As três principais características dos tripés (e monopés) são a altura, o peso e a cabeça. Há outros aspectos relevantes mas que não devem ser determinantes para o fotógrafo amador.

Altura

A característica mais importante de um tripé (e de um monopé) é a sua altura: ela determina as aplicações que se podem dar ao tripé.

A altura do tripé é medida com os pés completamente abertos. A maioria dos tripés têm um conjunto de três ligações horizontais na base da coluna elevatória central (ver foto) para aumentar a rigidez do conjunto quando os pés estão abertos.

Quando a máquina fotográfica é pouco pesada, o tripé pode ser usado sem ter os pés completamente abertos, o que permite ganhar alguns centímetros de altura se o tripé tiver uma altura insuficiente. Contudo, o leitor deve estar ciente que esta é uma solução de recurso em que há perda de estabilidade do conjunto e que um gesto desajeitado ou um pontapé acidental pode deitar tudo ao chão.

 
 

Acima da junção dos três pés, existe uma coluna elevatória, normalmente controlada por uma manivela que actua sobre uma cremalheira (à direita, na foto ao lado).

Para travar a coluna numa altura escolhida, usa-se um parafuso (à esquerda na foto ao lado). Quando se usa a manivela para elevar ou baixar a máquina, deve destravar-se a coluna, folgando o parafuso.

A altura do tripé define-se quando esta coluna está na altura máxima, mas a utilização do tripé nestas condições pode acarretar alguma vibração e instabilidade sobretudo nas máquinas mais pesadas e/ou com objectivas longas. Nestas condições, procure minimizar a altura da coluna elevatória ou, em alternativa, use um disparador remoto ou um retardador (self-timer).

 

Um tripé com menos de 50cm (20in) destina-se à fotografia de pequenos objectos no solo ou então para ser usado em cima de outro suporte - uma mesa por exemplo.

Um tripé com cerca de 100cm (40in) é um compromisso entre os mais pequenos e os normais e usa-se em viagem quando o peso é a variável crítica (ver a seguir).

Um tripé com mais de 130 cm (51in) permite a um adulto fotografar confortavelmente de pé. Os tripés raramente excedem os 180cm (71in) e os monopés raramente excedem os 150cm (59in).

 
 

Peso

Na minha opinião, o peso é a segunda variável na escolha de um tripé, embora o Sérgio Azenha (citado acima) tenha bons argumentos para privilegiar a montagem da cabeça.

Para quem trabalha em estúdio, o peso é insignificante. Para quem anda com o tripé na rua, o peso é preponderante na decisão de levar o tripé ou deixá-lo em casa. Se pensarmos que uma máquina reflex pesa pelo menos 0,5kg (1.1lbs), uma ou duas objectivas pesam mais 1kg (2.2lbs) e o saco ou mochila com acessórios pesa pelo menos 1kg (2.2lbs), a perspectiva de aumentar 1kg (2.2lbs), ou mais, por causa do tripé, pode ser desanimadora.

É por isso que eu prefiro os tripés leves com cabeça integrada, embora de fraca qualidade; também os monopés são muito úteis nos passeios pela natureza pois servem de cajado (apoio) e pesam menos às costas.

 
 

Cabeça

A cabeça é um dos pontos importantes na escolha do tripé e, frequentemente, é o mais negligenciado pelos amadores. Consoante as aplicações, pode ser mais importante do que o peso.

Nos tripés de qualidade, a cabeça é um elemento destacado do corpo, sendo possível adaptar diversas cabeças ao mesmo corpo. A junção é feita por um parafuso, normalmente de secção superior à do parafuso que une a máquina à cabeça do tripé.

Nas duas imagens do lado, mostra-se uma cabeça Manfrotto (234RC) que tem apenas um eixo de rotação (em elevação, tilt) e que se destina a ser usada com um monopé ou um outro suporte orientável no plano horizontal.

Na primeira imagem da cabeça, destaca-se, à esquerda, a alavanca de abertura rápida, protegida por um travão de segurança cor de latão. À direita vê-se o parafuso que permite apertar ou folgar a junta rotativa.

Na segunda imagem, é visível o suporte que se prende à máquina fotográfica e que usa uma base de cortiça para melhorar o aperto com a máquina. O parafuso é de 1/4 de polegada (1/4in), o diâmetro mais comum de rosca nas câmaras fotográficas.

O sistema de ligação e separação rápida (quick lock, quick release lever) é constuituído pela alavanca cinzenta e a mola de cor de latão. Basta actuar a alavanca para separar instantaneamente a máquina do tripé. Um sistema deste tipo é muito importante para alternar rapidamente entre as fotografias apoiadas em tripé e as fotografias apoiadas nas mãos.

manfrotto 234 lateral

manfrotto 234 topo
 

Nos tripés mais simples (ver foto), as cabeças estão integradas na coluna elevatória. Têm um ou dois parafusos de orientação: elevação (tilt) e rolamento (roll), e são livres de rodar em azimute (pan).

Neste caso, a cabeça está associada a uma alavanca que permite bascular a cabeça à distância com suavidade. Esta função é mais útil no uso de câmaras de vídeo. O ângulo de rolamento permite montar a câmara com enquadramento vertical.

 

Alguns tripés incluem níveis de bolha de ar para alinhar a cabeça com os eixos. Por vezes (como neste caso) os níveis são lineares e aplicam-se apenas a um eixo. Noutros casos, o nível é circular, permitindo alinhar dois eixos.

Há tripés com níveis separados para os pés e para a cabeça. Esta solução é mais frequente quando a cabeça é uma peça autónoma.

Se o tripé do leitor não tiver nível de bolha de ar e a sua máquina tiver uma sapata de flash padrão, pode comprar um nível de bolha de ar adaptável à sapata de flash.

 

Há algumas máquinas fotográficas - principalmente digitais - que disponibilizam uma grelha para que o fotógrafo possa alinhar a imagem.

Esta segunda alternativa tem a vantagem de ajudar os amadores a compor a imagem segundo a regra dos terços.

 

O grampo da imagem à direita tem uma cabeça de rótula que lhe permite rodar a máquina em todas as direcções; a cabeça tem um orifício específico (visível na foto) para fixar o eixo do tripé na horizontal.

Tem ainda um parafuso para fixar o ângulo da cabeça. Não tem uma alavanca de separação rápida (quick release lever).

As cabeças dos monopés são mais simples e, frequentemente, não têm sequer um mecanismo de ligação e separação rápida. Noutros casos, têm uma rosca que permite montar uma cabeça mais complexa. Ao optar por uma solução de monopé com cabeça, pondere se o peso total não é excessivo e se ainda é confortável usar o monopé como apoio.

Nos tripés mais sofisticados é por vezes possível montar a coluna central em posição horizontal ou invertida.

A montagem na horizontal é particularmente adequada à reprodução de documentos, enquanto a montagem em coluna invertida pode ser útil para fotografar temas pequenos próximo do solo (cogumelos, rochas, etc.). Se tiver necessidades especiais procure um tripé e/ou uma cabeça com o máximo de versatilidade.

 

Mecânica: materiais, juntas, fechos e pés

Há um aspecto importante - e com grande impacto no custo - que falta abordar: o material do tripé.

Na maioria dos casos é um metal: ferro (aço) ou alumínio. O primeiro é mais pesado, oferece mais resistência mas é susceptível à corrosão. O segundo é mais leve, menos resistente e é pouco susceptível à corrosão. Há ainda tripés de ligas de carbono que oferecem mais resistência do que o aço e menos peso do que o alumínio. São, todavia, ainda muito caras para a maioria dos fotógrafos amadores.

Um outro aspecto importante na escolha de um tripé (ou monopé) é a sua mecânica: as juntas que unem as peças, os fechos que fixam as secções telescópicas e as terminações dos pés.

Àcerca das juntas, procure ver se são firmes e se há parafusos e porcas em metal que garantam resistência.

Nos fechos, prefira os de alavanca (ver foto) aos de rosca, os quais são mais lentos e em que não é claro se o fecho está firme.

 

Há três tipos básicos de terminações de pés:

  • em espigão metálico, que são os mais adequados para usar em terra, areia e rocha,
  • em apoio plano de borracha ou plástico, os melhores para usar em interiores pois garantem horizontalidade e não riscam o chão e
  • em apoio redondo de plástico ou borracha que são pouco susceptíveis de deslizamento e que se adaptam a várias superfícies.


Estes últimos podem ser combinados com uma terminação em espigão metálico com rosca: quando se está em chão regular usa-se o apoio redondo, em chão irregular, o apoio redondo enrosca-se para cima revelando o espigão metálico (ver fotos).

Há monopés que têm uma terminação horizontal mais larga basculante de modo a torná-los mais estáveis. Esta solução não equivale a um tripé mas contribui para aumentar a estabilidade.



  1. Tripés, monopés e Cia
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  3. Características
  4. Constantes
  5. Modestos
  6. Versáteis
  7. Estabilizadores de imagem
  8. Conclusões

4. Constantes

Os tripés são companheiros constantes dos fotógrafos: não se gastam, não precisam de pilhas, não se tornam rapidamente obsoletos, são compatíveis com os mais variados tipos de máquina, adaptam-se às mais diversas condições meteorológicas e climatéricas e melhoram a qualidade da maioria das aplicações fotográficas.

O maior obstáculo ao seu uso frequente é o desconforto e carga que impõem ao fotógrafo. O leitor pode minimizar este efeito, seguindo diversas estratégias:

  • Comprar um tripé com um saco que permita transportá-lo confortavelmente a tiracolo,
  • Comprar um saco ou uma mochila com presilhas ou compartimentos próprios para tripés.
    Neste caso, certifique-se que o tripé se adapta ao saco ou mochila.
  • Comprar mais do que um tripé, cabeça ou monopé para ter uma acessório adaptado às diversas necessidades.

Os tripés são acessórios de longa duração que requerem escassos cuidados. Ainda assim o utilizador pode prolongar a vida útil do seu tripé seguindo algumas boas práticas:

Saco protector
Se possível adquira um saco para o seu tripé. Se tiver uma alça, pode servir para transportar a tiracolo.
Em uso, o fardo do tripé é mais suportável;fora de uso, o tripé fica mais protegido.
Lubrificação das juntas
Normalmente, os tripés não precisam de lubrificação. Mas se o seu tripé passa longos meses sem uso, pode precisar de um pouco de óleo fino nas juntas ou na coluna central. Por vezes, um pano humedecido com água e sabão é suficiente.
Em qualquer caso, preste atenção às indicações do fabricantes.
Longe da humidade
Sendo acessórios metálicos, os tripés não gostam de humidade. Por isso, limpe-os e enxugue-os com cuidado depois de os expôr à chuva e, em especial, à água do mar. Preste atenção à lama que se pode acumular nas terminações dos pés; as terminações com rosca merecem uma atenção redobrada.


O tripé é um acessório pouco discreto por natureza: o seu tamanho, o tempo que demora a armar e a desamar e o espaço livre que requer à sua volta podem dificultar a vida ao fotógrafo que deseja ser discreto.

O primeiro risco que o amador corre é o de passar por profissional, mas esse risco parece-me risível 1 . Para os riscos mais sérios, há medidas mitigadoras:

Tamanho

  1. Quando possível, use um mini-tripé ou um grampo associados a outro suporte.
  2. Use um substituto de tripé (ver abaixo)
  3. Penso que não vale a pena investir em mini-tripés que crescem muito: têm demasiadas juntas, são lentos de montar e pouco estáveis.

Tempo de armar e desarmar

  1. Prefira tripés com cabeça de ligação e separação rápida e com fechos de juntas de alavanca.
  2. Se possível use um monopé; utilize-o como cajado (apoio) e assim, no momento da foto, só terá de montar a máquina no topo do monopé.
    Não use a máquina fotográfica presa ao monopé, se o usar o como apoio enquanto caminha. As vibrações resultantes do impacto do monopé no chão podem danificar a mecânica da máquina.
  3. Se os seus acompanhantes se impacientarem com o uso do tripé, alterne saídas com e sem tripé ou use um monopé para não os exasperar.

Notoriedade e espaço livre

  1. Quando possível, use um mini-tripé ou um grampo associados a outro suporte.
  2. Posicione-se encostado a paredes ou outros obstáculos, pois junto a estes há menos transeuntes.
  3. Peça a um acompanhante que se posicione como obstáculo entre si e o tema enquanto monta o tripé. Se necessário, o acompanhante sairá do enquadramento no instante da foto.
  4. Se deseja fotografar um espectáculo público, chegue cedo e coloque-se numa posição privilegiada, traga um banco para se sentar confortavelmente e permaneça sossegado de modo a que os espectadores à sua volta sintam que o fotógrafo faz parte do cenário 2 .
  5. Escolha um tripé escuro. Os tripés claros são mais visíveis, sobretudo sob sol forte ou iluminação de candeeiros.
  6. Os tripés com partes brilhantes/reflectoras são desaconselhados em fotografia de animais em ambiente natural. Prefira os acabamentos mate.
 
  1. Tripés, monopés e Cia
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  3. Características
  4. Constantes
  5. Modestos
  6. Versáteis
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  8. Conclusões

5. Modestos

Os tripés são acessórios modestos de fotografia, a não ser que o leitor exija os topos de gama que são um pouco mais leves nas mochilas mas muito mais pesados na carteira.

Embora a compra de um tripé seja um investimento modesto em relação aos demais acessórios fotográficos, penso que o leitor deve ponderá-la cuidadosamente até encontrar um tripé adequado às suas necessidades, caso contrário o tripé ficará em casa, dando uma má reputação ao acessório.

Para facilitar a escolha, indico abaixo algumas marcas de tripés e monopés com informações relevantes na Internet. As marcas estão indicadas por ordem alfabética:

Cullman
Tripés alemães relativamente acessíveis, foram pioneiros nas cabeças de ligação e separação rápida.
Gitzo
Tripés de muito boa qualidade em diversos materiais, incluindo fibra de carbono e fibra de basalto.
Hama
Fabricante de acessórios para fotografia incluindo tripés. A linha de mini-tripés e grampos é especialmente interessante.
Kalimar Video
Marca de acessórios para video com tripés adequados para amadores com máquinas até cerca de 2kg (4.5lbs) de peso. São baratos e oferecem uma relação qualidade-preço aceitável.
Manfrotto
Um dos grandes fabricantes europeus de tripés de qualidade. A gama é muito diversificada e os preços também.

Tenha atenção que nas marcas melhores, o preço do tripé pode não incluir a cabeça que é uma peça adquirida à parte.

 
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6. Versáteis

O deslocamento vertical é o movimento que arruina mais fotografias: ao concentrar-se na cena, o fotógrafo relaxa os músculos e a câmara desce imperceptivelmente. Se a objectiva for longa e pesada, além da translação, há uma rotação para baixo (tilt) por aplicação de um momento angular que tem o corpo da máquina como fulcro. Por conseguinte, estes são os movimentos que mais devem preocupar o fotógrafo.

Apoiar a câmara no eixo vertical é a função mais básica de qualquer tripé, por mais precário que seja.

Adicionalmente, os tripés e monopés permitem alinhar as fotografias com uma determinada direcção - tipicamente, horizontal ou vertical. Permitem capturar uma sequência de fotografias ao longo de um movimento angular. Deste modo podem construir-se panorâmicas por colagem de fotografias.

Os tripés são ainda usados para capturar uma sequência de fotografias sempre na mesma posição a intervalos regulares para registar as alterações de uma cena.

Finalmente, tripés ou outros dispositivos similares podem ser usados para apoiar uma câmara numa posição em que seria desconfortável ou perigoso ter um operador: junto à toca de um animal selvagem, sob a asa de um avião, fotografando uma flor a abrir, etc.

Mesmo quando não se tem um tripé, é possível improvisá-lo ou, mais exactamente, criar um dispositivo de fixação que permita realizar as funções básicas de um tripé:

Saco de feijões (beanbag)
Esta solução veio da América e foi popularizada pelos amantes da natureza que faziam longas viagens pelos parques naturais: como levavam sempre feijões para comer, usavam o saco de feijões como apoio, com a vantagem que podem ajeitá-lo e moldá-lo de modo colocar a câmara no ângulo pretendido.
Esta solução é especialmente indicada quando se pretende pôr a câmara junto ao solo e/ou camuflar o fotógrafo.
Naturalmente, um saco de feijões realiza bem a função, mas se o leitor não pretender comer feijão, pode usar um casaco grosso, uma manta enrolada ou um saco cama, ajeitá-lo com alguns paus e pedras e aí tem o seu tripé.
É uma óptima solução para exposições longas (> 1s) ou para quando é necessário esperar horas pelo instante decisivo.
Alça para janela de automóvel
Há muitos animais que têm mais medo das pessoas a pé do que das pessoas dentro de um carro (é injusto para os ecologistas mais esforçados, mas é verdade). Por isso, o carro pode ser um bom refúgio de observação.
Como a maioria dos carros têm pegas por cima das janelas onde os passageiros se podem segurar, também é possível usar uma alça presa a essas pegas, para suspender a máquina fotográfica com a janela entreaberta. Esta aplicação destina-se sobretudo às longas e pesadas teleobjectivas que precisam de estabilidade para captarem fotos nítidas.
É uma óptima solução para exposições curtas (< 1/10s) durante o dia.
Joelho
Por vezes, esquecemo-nos do tripé; Por vezes, é proibido usá-lo 1  ,  3 . Nesses casos, pode-se improvisar um tripé no joelho, com o pé bem assente no chão, pois os ossos da perna são mais rijos e estáveis do que os braços e os músculos da perna são mais fortes do que os dos braços.
Com as máquinas analógicas, era necessário alguma ginástica para conseguir enquadrar a foto, mas na era das máquinas digitais com écran, esta tarefa está facilitada, sobretudo naquelas que têm os écrans rotativos.
Esta solução funciona aceitavelmente para exposições curtas (< 1/10s) e médias (entre 1/10s e 1s).
 
  1. Tripés, monopés e Cia
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  8. Conclusões

7. E os estabilizadores de imagem ?

Os tripés e monopés já tinham pouca popularidade junto dos fotógrafos amadores quando surgiram as objectivas com estabilização de imagem (image stabilizer, anti-shake ou vibration reduction) destinadas aos profissionais. Curiosamente, estes permaneceram fiéis aos seus tripés e monopés embora agradeçam a versatilidade acrescida destas objectivas.

Com o advento das máquinas digitais, os estabilizadores de imagem vulgarizaram-se. Na maioria dos casos, já não são incluídas nas objectivas: fazem parte do próprio corpo da máquina e estão associadas ao sensor.

A princípio, estes dispositivos estavam reservados às máquinas para amadores avançados (prosumer cameras) e profissionais mas, progressivamente foram alastrando até às máquinas amadoras com zoom longo que custam cerca de EUR 500 (USD 600) em 2005.

O desempenho destes sistemas é variável, mas todos melhoram a gama de utilização das lentes em pelo menos "1 a 3 stops", isto é permitem multiplicar por 1,4 (1 stop) a 2,8 (3 stops) o tempo de exposição máximo que ainda garante uma imagem nítida. Na prática, isto permite usar o zoom com metade ou um terço da luz, para o mesmo nível de sensibilidade ISO.

Eu estou razoavelmente satisfeito com o estabilizador da minha Konica Minolta Z5 que permite usar o longo zoom - equivalente a 35-420mm no formato de filme 135, também chamado 35mm - na fotografia de temas com pouco movimento.

Em temas rápidos - por exemplo, a fotografia de aves em voo -, a combinação do auto-foco com o estabilizador de imagem é insuficiente para oferecer uma nitidez média suficiente: algumas fotos ficam boas, a maioria fica pouco nítida. Nestes casos, a melhor solução é reduzir o zoom do máximo 420mm (12x) para 280mm (8x).

Para lá do limite dos três stops, até as máquinas com estabilizador de imagem ficam dependentes do apoio de um tripé ou monopé.

 
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  8. Conclusões

8. Conclusões

Um dia, um leitor escreveu-me contristado com a fraca qualidade das suas fotografias de interior e das fotografias exteriores tiradas com pouca luz. Ele queixava-se da máquina e pensava comprar uma máquina com ligação para um flash externo, dado que os flashes incluídos nas máquinas lhe pareciam insuficientes.

Trocando impressões, procurei persuadi-lo a comprar um tripé em vez de trocar de máquina. Por um lado gastaria menos dinheiro no tripé, por outro, ser-lhe-ia difícil obter resultados satisfatórios por muito dinheiro que gastasse na nova máquina, à qual deveria acrescentar a despesa do flash...

Da minha experiência fotográfica concluí que os tripés, monopés e companhia são indispensáveis em alguns tipos de fotografia, são úteis em muitos tipos de fotografia e são inconvenientes em raras ocasiões. Fazendo o saldo de vantagens e desvantagens, creio que são o investimento com melhor relação benefício/custo que um fotógrafo pode fazer, a seguir à máquina fotográfica.

Se os leitores que lerem esta nota chegarem à mesma conclusão, valeu a pena escrevê-la.

Abril de 2004 a Agosto de 2005

Referências

How to choose a tripod
Artigo da revista Popoular Photography sobre este tema. É mais sintético, mas cobre o essencial.
Em inglês.
Traveling Steady with Your SLR
Artigo de Herbert Keppler de Setembro de 2001 na mesma publicação sobre a escolha de tripés de viagem. É uma abordagem orientada para um produto específico mas as preocupações e o caderno de encargos são comuns.
Em inglês.

Notas

1 Já fui impedido de usar o tripé ou o monopé dentro de monumentos. Aparentemente, só os profissionais usam tripés e esses carecem de autorização para fotografar com fins comerciais.

2 Para fotografar o espectáculo do Acquamatrix da EXPO'98, cheguei com três horas de antecedência e sentei-me encostado à vedação ou em cima de um muro da Doca dos Olivais, com o tripé para lá da vedação. Trouxera um livro me entreter enquanto esperava. Levei muitos encontrões durante o espectáculo mas ninguém se pôs à frente da máquina fotográfica.

3 Numa ocasião, tive dificuldades em passar o controlo dos aeroportos com um monopé metálico. Disseram-me para não pôr o monopé na bagagem do porão, para que não levantasse suspeitas e depois não me queriam deixar embarcar com ele na cabine. Acabou por ficar confiado a um dos tripulantes e foi-me devolvido à chegada.

 
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Publicado em Agosto de 2005. Última alteração: Abril 2006.inicio da página