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Reflexões
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A ilusão da banda larga

A banda larga é comummente apresentada como condição indispensável à melhoria das competências dos cidadãos na sociedade de informação. Penso, todavia, que a disponibilidade de banda larga aumentará a quantidade de dados, não a sua qualidade. E quem procura fomentar comunidades encontrará audiências.

Nota prévia

Esta nota reflecte pontos de vistas portugueses mas o debate é semelhante noutros países.

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Os dois principais partidos portugueses nas eleições de Março de 2002 (o PSD - Partido Social Democrata recolheu 40% dos votos e o PS - Partido Socialista recolheu 38% dos votos) escolheram o acesso universal à Internet em banda larga como a principal medida de melhoria da sociedade de informação.

O programa de Governo de coligação formado pelo PSD e pelo CDS/PP (Partido Popular, 8,7% dos votos) afirma:

A questão tecnológica fundamental para a aceleração da Sociedade da Informação no futuro próximo é a banda larga para todos, a preços acessíveis.
Impõe-se assegurar o acesso e a utilização de todas as redes de telecomunicações pela generalidade dos operadores, permitindo a “explosão” de novos serviços e conteúdos a preços competitivos;

O programa eleitoral do PS (anterior governo, actual oposição) definia onze "Iniciativas Estratégicas para o Desenvolvimento Científico e da Sociedade da Informação", entre as quais:

Estímulo à oferta efectiva e difusão no mercado de comunicações em banda larga, especialmente ADSL, e intervenção determinada do Estado na garantia de efectivas condições de concorrência neste sector...

Oito meses depois, um Projecto-Lei apresentado pelo pequeno grupo parlamentar do Bloco de Esquerda (2.7% dos votos) recebeu apoio unânime das demais bancadas parlamentares. Cito abaixo dois extractos do preâmbulo do referido Projecto-Lei.

Os preços do serviço de acesso à Internet em banda larga (ADSL e Cabo) são, em Portugal, semelhantes aos praticados no resto da União Europeia. Sabendo-se que, apesar da evolução positiva, ainda estamos mais atrasados do que a média europeia no acesso à Internet e que o poder de compra dos portugueses é bem mais baixo do que o dos restantes europeus, espera-se que deste alargamento do âmbito do serviço universal de telecomunicações saibam as instâncias reguladoras fazer cumprir a letra e o espírito da lei, impondo uma redução de preços para valores acessíveis à generalidade dos portugueses.

Caberá às entidades reguladoras acompanhar este processo e ao Estado compensar os operadores pelos eventuais prejuízos resultantes da exploração deste serviço a preços económicos. Caberá à empresa concessionária fazer um investimento mais acelerado para que, a muito curto prazo, a banda larga esteja disponível a todos os cidadãos residentes no território nacional.

Mau grado tanta unanimidade, discordo pelas razões apresentadas abaixo.

Quais as utilizações de Internet que precisam de banda larga ?

Não conheço nenhuma forma de utilização da Internet que seja prejudicada pela disponibilidade de banda larga. Não obstante, são poucas as aplicações para as quais a banda larga é indispensável. Contam-se entre elas:

Telepresença e teleoperação
Estas são técnicas que se baseiam em transmissão de imagem ou outros dados de alto débito, conjugada, nos casos da teleoperação, com transmissão de sinais de controlo. São ligações ponto-a-ponto que dependem da qualidade e fiabilidade da ligação. Os exemplos mais espectaculares provêm da telecirurgia, onde um doente é examinado e submetido a um procedimento cirúrgico realizado através de manipuladores robóticos comandados por um cirurgião presente noutro local.
Videoconferência
A videoconferência é uma forma de telepresença especial, na medida em que há vários canais envolvidos e todos transmitem para todos. Embora haja algumas aplicações possíveis em banda estreita, uma videoconferência confortável exige uma ligação em banda larga.

Quais as utilizações da Internet que beneficiam da banda larga ?

Há muitas outras aplicações que, embora já estejam disponíveis com banda estreita, se tornam muito mais interessantes com a transmissão em banda larga.

Venda de conteúdos multimedia
Esta é a utilização que o mercado procura e prefere. Nos últimos anos tem-se assistido a uma procura potencial destes serviços, primeiro associados ao som (onde o formato MP3 e os sítios de troca gratuita de música, como o Napster, brilharam), depois com os filmes (popularizados com o formato DivX). Todavia, a popularidade destes "mercados" resulta da grande maioria dos bens transaccionados serem gratuitos. Não considero provado que haja viabilidade económica para este negócio quando os conteúdos forem pagos. Claro que os ISP - e carriers - não se preocupam com isso, mas apenas com a venda de largura de banda.
Actualmente, duas aplicações de banda estreita, o e-mail e o IRC (chat), são as formas preferidas de comunicação na Internet - curiosamente, traduzem um ascendente inesperado da palavra escrita sobre a comunicação audiovisual.
Admite-se que se houver largura de banda disponível, haverá também procura potencial para a comunicação pessoal em banda larga através de voz, música e video domésticos.
Distribuição de software
Sendo um bem imaterial, o software é um bem adequado à aquisição através da Internet. Já é hoje um canal de venda importante, sobretudo para os pequenos programas de shareware, mas também já é possível fazer o download de grandes programas. Esta forma de distribuição reduz significativamente os custos de edição pois não há stocks, manuais impressos, distribuidores e retalhistas. Torna também mais fácil a actualização de versões, pois os próprios programas podem actualizar-se automaticamente via Internet.
Além do mais, como os clientes potenciais de software são normalmente utilizadores experientes da Internet, as barreiras de acesso a esta forma de comércio são menores.
Teletrabalho
Com banda estreita é possível efectuar algumas formas de teletrabalho e formas limitadas de videoconferência. Acresce que, nos casos em que a ligação é feita por telefone, o canal está ora saturado ora em vazio, sendo facturado pelo tempo de operação. Por isso, é proveitoso dispôr de banda larga onde, na maioria dos casos, o canal é partilhado por vários sinais e só é facturada a quantidade de informação transferida, além de se manter o acesso ao telefone e à televisão por cabo.
Vendas online
A venda de produtos materiais e de muitos serviços não pode ser totalmente realizada pela Internet mas pode beneficiar muito dela. Em particular, a utilização de conteúdos multimedia permite informar sobre as características dos produtos e serviços e promover as vendas. Imagine-se uma agência de viagens promovendo as praias paradisíacas com filmes, ou um fabricante automóvel que ofereça aos clientes potenciais uma ferramenta interactiva que permita definir as características do veículo (cores, equipamentos, etc. ), representadas num modelo tridimensional e animado.

Os utilizadores profissionais de banda larga

Uma única ligação de banda larga permite transmitir um grande fluxo de dados para um único utilizador ou um pequeno fluxo de dados para muitos utilizadores. No primeiro caso tira-se partido dos novos serviços enquanto no segundo caso, o tipo de utilização da Internet não é significativamente alterado. Sem embargo, partilhar uma única ligação de banda larga (e um único router, e uma única firewall, etc.) proporciona enormes ganhos de eficiência e economia.

Mesmo nos casos em que a maioria dos conteúdos transmitidos são típicos de banda estreita, a introdução de banda larga traz normalmente uma mudança comportamental face aos acessos telefónicos de dial-up: quando a facturação não está associada ao tempo de ligação on-line mas sim à quantidade de dados transmitida, os utilizadores têm tendência a permanecer permanentemente ligados em vez de concentrarem o tráfego numa chamada telefónica de duração limitada. Esta mudança aumenta muito o conforto de utilização mas agrava alguns problemas: quanto mais tempo os utilizadores estiverem on-line, maior a dispersão provocada pelas mensagens que entram e maior também é o risco de acesso por parte de vírus ou outro software malicioso.

Na minha opinião, este é o tipo de utilização que melhor tira partido da banda larga: juntar um conjunto de utilizadores que partilham uma única ligação (e um único cabo, e uma única firewall, etc.) proporciona enormes ganhos de eficiência e economia.

Do exposto atrás resulta que os utilizadores profissionais terão grandes ganhos de eficiência ao aceder à Internet por banda larga. Além de novos serviços dependentes da banda larga, também os serviços normais de banda estreita beneficiam do tráfego em volume.

Os utilizadores profissionais transferem os custos da ligação à Internet para os seus clientes, por isso são menos afectados pelos tarifários. Além disso, dispõem normalmente de orçamentos significativos e um volume de tráfego - e decorrente poder negocial - que ultrapassa o utilizador individual. Se quiserem usar a banda larga podem negociar os melhores preços do mercado, não precisando por isso de incentivos ao acesso universal em banda larga. Por isso, os incentivos públicos destinam-se aos utilizadores domésticos.

Os utilizadores domésticos de banda larga

Para que precisam os utilizadores domésticos da banda larga? Segundo a vox populi e os publicitários, precisam da banda larga para trocar ficheiros multimedia e fazer downloads da Web. Fazer o download (descarregar) de um filme de três minutos e 20 Mb demora uma hora com uma ligação V92 (56Kbit/segundo) e cerca de onze vezes menos (ou seja, 5 minutos) com uma ligação ADSL ou cabo de 512 Kbit/segundo.

Este factor de redução do tempo de espera é um máximo optimista (para um acesso de 512Kbit/segundo) pois o ritmo de transmissão depende da largura de banda disponível em todos os segmentos da ligação e a instalação de banda larga afecta apenas o último segmento. Como não é previsível que a largura de banda de que os ISP dispõem seja multiplicada por onze no curto prazo, o estrangulamento sentir-se-á, provavelmente, nos segmentos a montante. Para minimizar este inconveniente, admito que os ISP reservem uma porção maior da largura de banda para um utilizador de banda larga do que para um utilizador telefónicos de banda estreita.

No caso português, prevejo que a maior congestão de tráfego ocorra nas ligações internacionais, em especial nas ligações aos Estados Unidos da América. Aliás, alguns ISP reflectem já a diferença de custo entre ligações nacionais e internacionais nas suas tarifas: um pacote básico pode incluir 2GB de tráfego internacional e 20 GB de tráfego nacional mensais.

A maioria dos utilizadores não está habituada a esta modulação das tarifas e desconhece se um web site está em Portugal ou noutro país, independentemente da terminação (top level domain) ser .pt, .net, .com, etc..

Prevejo também que os utilizadores domésticos tirarão partido da maior largura de banda para trocar programas, ficheiros de som e imagem entre amigos e vizinhos, provocando uma grande sobrecarga dos servidores de correio electrónico.

Creio que a generalidade dos utilizadores individuais não será capaz de produzir conteúdos multimedia interessantes e por isso, com excepção do tráfego de voz ou do video telefone - semelhante ao Microsoft Netmeeting - os conteúdos trocados serão produzidos por terceiros.

Se os legisladores pretendem fomentar "a “explosão” de novos serviços e conteúdos" ficarão decerto desiludidos pois:

  • a grande maioria dos conteúdos é importada e sem valor acrescentado local,
  • muitos conteúdos circulam gratuitamente, sem suportarem um modelo de negócio,
  • parte significativa dos conteúdos circulam em desrespeito pelos direitos de autor,
  • os ISP são os principais beneficiados ao facturarem mais largura de banda

Como será facturado o acesso à Internet em banda larga ?

A generalidade das propostas comerciais, facturam o acesso pela quantidade de informação transaccionada. Há algumas variantes: há quem facture de forma diversa o tráfego de download (da Internet para o computador do cliente) e o tráfego de upload (do computador do cliente para a Internet), enquanto outros distinguem o tráfego nacional do tráfego internacional ou intercontinental (overseas).

A outra divisão fundamental está nos tarifários com uma tarifa base que já inclui algum tráfego, sendo o excedente facturado por MB (megabyte) e aquelas em que o tarifário base (a existir) não inclui qualquer tráfego.

Há também, embora em universos muito restritos, ISPs que oferecem tráfego ilimitado contra uma mensalidade fixa (flat rate ou tarifa plana). São por vezes usados como técnica promocional ou em tarifários empresariais feitos por medida. Uma variante deste tarifários é ofercer tráfego ilimitado para um conjunto de sítios, tipicamente os diversos servidores de Intranet de uma empresa ou os servidores de uma empresa e dos seus fornecedores e clientes directos quando estes produzem em regimes "just in time".

Quem lucra com a banda larga ?

Em primeiro lugar, lucram os ISP e os operadores de telecomunicações (carriers). No final da década de 1990 houve um enorme entusiasmo com os serviços de banda larga e a massificação da Internet. Foram feitos enormes investimentos na instalação de redes de banda larga que agora se encontram em sub-utilização, mercê da redução do entusiasmo dos mercados e da desaceleração económica. Por isso estão tão interessados em divulgar e estimular a banda larga, sobretudo se conseguirem que os Estados comparticipem nos custos.

Estão também interessados os vendedores de serviços e conteúdos online, que estão a passar um mau bocado na sequência dos grandes investimentos feitos aquando dos anos de entusiasmo e que, não atingindo os patamares de viabilidade, serão forçados a encerrar. Em Portugal, por exemplo, lançaram-se vários serviços de venda de video e som online com notícias, música, canais de rádio temáticos e outros, que agora lutam pela sobrevivência económica.

Talvez o melhor exemplo de aplicação da banda larga seja o da televisão interactiva lançado em conjunto pela TVCabo e a Microsoft (naquela que foi a estreia mundial da sua plataforma de televisão interactiva) em Maio de 2001. Anunciaram nessa altura que contavam ter 200000 clientes em Dezembro de 2001. Ao chegar a essa data, tinham 2500 clientes. Passado um ano, em Dezembro de 2002, há 8000 clientes de TV interactiva. Naturalmente, todos os apoios públicos a esta iniciativa são bem vindos.

Quem paga o acesso universal em banda larga ?

Por ora pagam os clientes e se o Projecto Lei nº 125/IX fôr aprovado - ou outro semelhante - os contribuintes passarão a pagar também através do Estado ou da União Europeia.

É por este motivo que eu tenho reservas face à banda larga: não é pela banda larga em si, mas pelo facto de financiamentos públicos serem dirigidos para este fim em alternativa a outros.

Há também alguns dados curiosos em relação à banda larga em Portugal. Os preços para os acessos mais baixos são semelhantes nos vários operadores, incluindo um volume de tráfego semelhante e um custo por MB adicional também semelhante: cerca de €35 mensais (10% do salário mínimo português, 5% do salário médio) com 2GB de tráfego mensal e cerca de €2 por cada 100 Mb adicionais. Todavia, há um operador (a Oninet) que, além desta modalidade, oferece também um acesso por €25 mensais, sem qualquer tráfego incluído. Se a formação de preços fosse clara, isto quereria dizer que o custo fixo de um cliente representaria cerca de 70% do custo do serviço e os 2GB de tráfego custariam 30%. Atendendo ao custo do tráfego adicional, parece-me que o custo fixo está dilatado enquanto o custo do tráfego foi reduzido. Ou então os preços não reflectem os custos reais do serviço e há ainda muita margem para reduções à medida que a concorrência o exija.

Entretanto, na cidade espanhola de Zamora, foi disponibilizada uma solução de banda larga sem fios que oferece uma tarifa plana por €9,9 mensais. Penso que se trata de um tarifário promocional associado a uma experiência piloto e estas experiências são normalmente co-financiadas pela indústria. Não obstante, é um indicador significativo da gama de custos que se poderá esperar daqui a alguns anos. A título informativo as tarifas de ADSL "normais" em Espanha são semelhantes às portuguesas: cerca de €40 mensais para 2GB de tráfego.

Que melhorias na Sociedade de Informação se podem esperar da banda larga ?

Confesso que espero escassas melhorias nos utilizadores domésticos e melhorias significativas nos utilizadores colectivos.

As empresas e utilizadores colectivos poderão trabalhar cooperativamente, manter relações estreitas com os seus parceiros, desenvolver novos serviços e de uma forma geral, disponbilizar acesso e formação a todos os seus membros.

Em particular, espero que os pontos de acesso público à Internet em escolas, bibliotecas, ciber-cafés, serviços públicos, museus, etc., se generalizem e se tornem mais acessíveis, pois um acesso de banda larga pode servir muitos utilizadores em simultâneo.

Quanto aos utilizadores particulares, privilegiarão os conteúdos lúdicos - trocados amiúde à margem da lei - e uma utilização menos racional da Internet.

Haverá muitos utilizadores que aprenderão a jogar online, o que me parece uma escassa melhoria.
Perder-se-ão muito mais horas a ver e-mails com videos ou sons, animações flash, o que só prejudica a produtividade.
Proliferarão os vírus, worms e demais programas maliciosos, cuja única contribuição económica será o desenvolvimento dos serviços de assistência e anti-vírus.

O que deveriam fazer os legisladores ?

Creio que os legisladores se deveriam preocupar em garantir um acesso universal em condições equitativas para todos os utilizadores, por exemplo, fixando metas temporais para a cobertura do país por serviços de banda larga.

Seria também importante que uma autoridade de concorrência analisasse a estrutura dos tarifários: a oferta está concentrada em meia-dúzia de fornecedores, que propõem tarifários muito semelhantes, seja por ADSL ou por cabo.

Se os legisladores pretendem estimular novos conteúdos e serviços apoiados em banda larga, pois estabeleçam contratos programa, projectos e iniciativas co-financiadas pelas empresas e sociedade civil, com métricas de qualidade e avaliações de resultados.

Caso contrário, desenvolverão o tráfego desejado e o indesejado, sendo que este último parece desenvolver-se mais facilmente. Como os recursos não são infinitos, outros programas serão prejudicados e daqui a alguns anos gastar-se-ão mais alguns recursos para analisar a fraca reprodutividade dos investimentos feitos no fomento da banda larga.

Conclusões

A disponibilidade de banda larga a preços competitivos será muito vantajosa para os utilizadores colectivos, sobretudo para as pequenas organizações que actualmente restringem a utilização da Internet. Na maior parte dos casos as empresas farão o mesmo tipo de tarefas requerendo as mesmas competências, mas de forma mais eficiente.

Pelo contrário, os utilizadores particulares - que são os principais visados pelas medidas propostas - utilizarão a Internet de forma mais gratificante, mas raramente adquirirão novas competências relevantes em resultado da disponibilidade de banda larga. E se é legítimo que os utilizadores da Interent queiram melhorar a fruição do serviço, parece-me menos legítimo que o façam a expensas da totalidade da população.

Penso que a banda larga acentuará a assimetria entre produtores e consumidores de informação. Se exceptuarmos a comunicação ponto-a-ponto (e.g., e-mail), a fracção de tráfego de download sobre o total tenderá a aumentar.

Este fenómeno não resulta apenas da banda larga, antes traduz a apropriação da Internet pelos cidadãos comuns, abrangendo públicos progressivamente menos instruídos e socialmente menos participativos. A Web será cada vez mais uma biblioteca de informação, cultura e lazer a que se acede para satisfazer necessidades e menos uma ferramenta colaborativa onde cada utilizador é interveniente.

A Internet aproximar-se-á do paradigma da televisão e afastar-se-á do paradigma da rede, onde cada utilizador é um nó que produz e recebe informação.

O ensejo dos legisladores de fomentar a criação comunidades on-line que partilhem interesses, causas e preocupações esbarra na fraca preparação técnica dos utilizadores, na pouca disponibilidade de tempo e falta de empenho da sociedade civil.

Não é por falta de largura de banda que os portugueses não usam a Internet como tribuna, ponto de encontro, jornal, museu, galeria de arte, escola, repartição pública ou mercado. Para algumas aplicações falta a segurança, noutras falta a autenticação de identidades, noutras ainda faltam os micropagamentos. Falta, sobretudo, presistência e formação.

 

Glossário

ISP: Internet Service Provider
Empresa que oferece ligações à Internet a empresas e pessoas, normalmente por telefone ou por cabo e mais recentemente via rádio e telefones móveis.
Carrier
Empresas de telecomunicações que encaminham o grandes volumes de tráfego nacional e internacional. Representam o comércio de largura de banda por grosso (atacado) enquanto os ISP são os comerciantes a retalho (varejo).
Dial-up
Acesso à Internet via telefone usando a banda de base, que é comum aos sinais de voz (até aos 4KHz). Actualmente a velocidade de transmissão está limitada a 56Kbit/segundo.
ADSL: Assymetric Digital Subscriber Line
Acesso à Internet via telefone usando bandas superiores do espectro (acima de 8KHz). Esta utilização permite aumentar a largura de banda usando vários segmentos do espectro, oferecendo tipicamente 512Kbit/segundo ou mais elevado. Esta tecnologia permite utilizar simultaneamente a linha para chamadas de voz e de Internet graças a micro-filtros que separam o sinal de voz e os sinais de dados. Diz-se "assymetric" porque os débitos de dados são diferentes nos dois sentidos: tipicamente 512Kbit/segundo para download contra 128Kbit/segundo para upload.

Referências

Internet em banda larga e serviço universal
Notícia do Jornal PÚBLICO (Portugal) em 16 de Dezembro de 2002 sobre o Projecto de Lei do Bloco de Esquerda.
Projecto Lei nº 125/IX do Bloco de Esquerda
O Projecto Lei sobre "Acesso Universal à Internet em Banda Larga" foi aprovado na generalidade por todos os partidos e está agora em discussão na especialidade.
Afitel em Zamora
Esta empresa oferece um serviço de banda larga e sem fios, usando o protocolo Wi-Fi, em toda o núcleo urbano da cidade de Zamora, Espanha, com uma tarifa plana de €9.9 mensais. Sítio em espanhol.
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Escrito em Janeiro 2003, última alteração em Março 2003inicio da página