O Mosteiro

Em 1283, D. Mor Dias fundou uma comunidade religiosa no local onde está o Mosteiro de Santa Clara a Velha. Esta comunidade foi dedicada a Santa Clara, um sinal da popularidade das ordens mendicantes (de inspiração franciscana) que na época chegavam a Portugal.
Pouco se sabe da primitiva edificação, presume-se que fosse modesta. Sabe-se sim que a fundadora se envolveu num litígio legal prolongado com os monges crúzios (do Mosteiro de Santa Cruz), o que conduziu à extinção da comunidade em 1311.

Em 1314 D. Isabel de Aragão, a Raínha Santa (n. 1269?, casamento em1282, m.1336), casada com D. Dinis, o Lavrador (n. 1262, rei em 1279, m.1325) solicitou ao Papa autorização para erguer um Mosteiro nesse local e em 1316 decorriam já as obras.
A Raínha tinha grande apreço pelo Mosteiro, tendo decidido ser aí sepultada.
O Mosteiro surge associado a vários episódios da vida da Raínha Santa, sendo o mais famoso o Milagre das Rosas, que teria ocorrido nas imediações do Mosteiro.

O arquitecto-mor do Mosteiro foi Domingos Domingues, que trabalhara anteriormente no mosteiro cisterciense de Alcobaça. A arquitectura combina os estilos românico e o gótico, com predominância deste último estilo, que se generalizou em Portugal durante o séc XIV. A planta compreende três naves de altura semelhante, sem transepto; as naves dividem-se em sete tramas. Ao contrário da maioria das igrejas mendicantes da época, a cobertura é integralmente de pedra. As abóbodas em berço quebrado e a técnica de separação das naves são sinais de influência românica. A iluminação das naves é feita por duas rosáceas nos extremos da nave central e por janelas duplas nas paredes laterais.
A igreja foi sagrada em 1330. Posteriormente, foi construído um claustro, uma sala capitular e outras dependências, reveladas pelos trabalhos de recuperação.

Logo em 1331 a cheia do Mondego invadiu o recinto, iniciando o afundamento do Mosteiro. Para combater o afundamento foi edificado um novo plano de chão a meia altura da igreja, o que ilustra a elevação original das naves, tão característica das igrejas góticas. Se hoje a Igreja parece baixa e atarracada é porque metade da sua altura está (esteve) submersa em lodo.

Mau grado todos os esforços de drenagem e conservação, a Igreja e o Mosteiro foram abandonados em 1677, transferido-se a comunidade de monjas para Santa-Clara-a-Nova, localizado a meio da colina sobranceira.
Também o túmulo da Raínha Santa foi transferido embora o altar onde então se encontrava estivesse acima do nível da água e assim permanecia em 1993.

Para conhecer melhor o Mosteiro de Santa Clara consulte os sítios abaixo:

Reconstrução Virtual de Santa Clara a Velha
pelo Centro de Computação Gráfica da Universidade de Coimbra

A referência fundamental na Internet sobre o Mosteiro, num sítio de desenho elegante e inovador (à época, i.e., 1997-98).

Apresenta um modelo das ruínas, criado a partir dos levantamentos arqueológicos e arquitectónicos que precederam a recuperação. Inclui informações pormenorizadas sobre o curso das escavações, vídeos, levantamentos fotográficos e descrições dos vestígios arqueológicos recolhidos.

Registo de Santa Clara a Velha no Inventário do Património Arquitectónico

Um registo muito completo das características do monumento (em especial da Igreja), da sua cronologia e das intervenções a que foi sujeito. Inclui também uma bibliografia extensa sobre o Mosteiro. Mantido pela Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais.

Santa Clara a Velha segundo o Instituto Português do Património Arquitectónico

Uma página institucional com duas fotografias aéreas do sítio e uma sumaríssima descrição dos trabalhos de recuperação.

Notícia dos trabalhos de recuperação pelo Diário de Notícias

O Instituto Camões mantém um arquivo de notícias culturais onde se encontra um notícia de 7 de Maio de 1998 descrevendo o andamento dos trabalhos.
 

©2001 João Gomes Mota
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